Home Data de criação : 07/03/23 Última atualização : 08/08/05 17:47 / 29 Artigos publicados
 

A Febre na tarde  (POEMANIA) escrito em terça 05 agosto 2008 17:47

Fotografia de Man Ray 

Nas esquinas do verbo

Peralta te espero

Pé plantado na magia

Suporte lânguido de um desejo ténue

 

Assobio uma ária displicente

Frágil disfarce de nervos sonoros…

 

O veludo solene da tua pele moça

Polvilha o sonho

Rastilho d’esperança & desassossego

 

A febre se aninha na face da tarde

E digere a memória enquanto cresce

O desamparo

 

Ah! Meu amor! Nunca venha

Deixa teu hálito estrangular

Interromper o ímpar reverbero

Apagar no teu doce olhar

O conteúdo irascível da ânsia

 

Ah! Minha amada, venha! Venha!...

Venha na aurora e na fria noite

Venha nos impávidos Outonos…

E no tom quente das margaridas

Venha…

Incorpore meu trémulo embalo

E adormeça no prólogo dos meus braços

Qual silencioso conto na âncora da noite

 

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Fragmentos II  (POEMANIA) escrito em terça 05 agosto 2008 17:38

Pintura de Pablo Picasso

Brancas são as rimas

Qual teus fartos dedos

E as quimeras no ventre do sonho…

Lembras-te da voz lassa

E dos nós nas frases longas?

 

Lembras-te dos vazios votivos

E dos olhares sagazes?

 

Sabes! Eu não tenho memórias

Perderam-se nos sulcos dos anos

Nas armaduras espectrais

Com que guardo as ilusões

Talvez tivesse clamado raízes

Quiçá pontes

Destroços de sabedorias e afectos

Que rissem dos assombros

Na somatória dos dias íngremes

Porem…

Não os encontro nas mãos vazias

Nem na morte anunciada das paixões

Por isso,

A poesia nasce e fenece em mim

Como o gesto necessário no bailarino!...

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Vespertina  (POEMANIA) escrito em terça 29 julho 2008 12:14

"Personal", Pintura de René Magritte

Do morno cadáver

Da vespertina hora

Voláteis germes

(dispersos diamantes)

De brilho indolor

Fragmentos de luz

            Em cores lúcidas

Decompostas vozes

Espectro

De homens e cães

Flutuem o espaço incorpóreo

É o sono da alma

Anémica e suspensa

Como só a tarde

A morna tarde

Sabe sonhar e ser…

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Maldição  (POEMANIA) escrito em terça 29 julho 2008 12:14

"Pecado",Pintura de Salvador Dali 

Amaldiçoo-te poesia

Amaldiçoo-te

Na fria madrugada

Sob burocrática identidade

Amaldiçoo-te

Na conjugação dos sexos

Sob a potência – desejo

Amaldiçoo-te

No vácuo do corpo – verbo

Sob ténue harmonia

Amaldiçoo-te

No vão da hora tardia

Sob a ânsia das rosas

Amaldiçoo-te

Amaldiçoo-te poesia…

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...a criação!  (POEMANIA) escrito em terça 29 julho 2008 12:04

Pintura de Cristiane Campos, Artista Brasileira

deus inventou a mulher

a imagem da mãe

a mulher criou o homem

a imagem de deus

o homem inventou o pecado

a imagem do prazer

o pecado criou a lei

a imagem da dor

a lei sublinhou a culpa

a imagem da culpa

proclamou a culpa a morte do gozo

a mortificação dos corpos

a sociedade o tripalium

e a convivência entediada entre os homens

assim

na ressaca dos dias

e nas noites insones

nasceu a poesia...

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